Mostrar mensagens com a etiqueta malta miúda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta malta miúda. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 5 de março de 2008

Criança éducada

O meu Zé está quase nos dezasseis anos. É um dos treze filhos macho nascidos dum casal de são tomenses. Acha que não é muito dado às letras mas faz oitos com os números. "Grandes e piquinotes". Lê bonito. Dá asas e vida às palavras. Escreve como fala. E só fala "bodega". Fala "dáma" e esquece a menina que não é bela mas "tão biuti" que é até "fatela" no mc trabalhar em vez de desfilar. Mas isso é som que sai da boca do Zé porque na expressão, no sorriso, no brilho do olho ele fala poesia e a "dáma" que de lá solta é, no mínimo, a Cinderela.

Nunca falta ao apoio e nunca faz os trabalhos de casa. Não falta porque "o convívio é bom" e não faz os trabalhos porque eram de ontem e o Artur, que é o irmão mais velho, diz que eles têm que estudar pra serem homens de amanhã.

Tem alturas apetece explodir, ralhar e mandar escrever cinquenta vezes as mesmas palavras e resolver umas trinta equações. Mas sempre fraquejo. Eu e as professoras todas, já percebi. Ele sempre tem positiva e sempre passa de ano. A sua explicação para a proeza faz todo o sentido: "As proféssoras gostam de crianças éducadas e eu sou uma criança muito éducada..."

Depois do "convívio" dá-me um abraço demorado e tão apertado que parece até o coração muda de peito.

Quase me apetece desejar que chumbe pra ficar com ele mais um ano.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A caminho dos treinos

As viagens de ida e regresso para os treinos de andebol voltaram à ordem do dia. As inscrições para as boleias começam às segundas e terminam quando a carrinha está cheia ou não consegue levar nem mais um, magrinho que seja. Às vezes há umas excepções como quando a Mi, única menina, chega esbaforida, à hora da partida, sem marcação e, com os olhos muito esbugalhados me contrapõe:

"E vais-me deixar aqui na rua, de noite, sózinha e a chover?"

No percurso falamos de tudo e cantamos quase tudo o que sabemos. Distribuem queixas e tecem elogios às professoras e aos trabalhos de casa ainda por fazer, desenham e decidem tácticas de jogo, preveem vitórias com grandes cabazadas e arremessam perguntas em catapulta sobre tudo e sobre todos. Muitas são autênticas pérolas.

Debaixo do viaduto do SATU abriu uma churrasqueira de nome "Brasinha". Novidade no burgo. Dúvida na cabeça dos marmanjos.

- O que é que é uma brasinha?
- Aí meu, quem não sabe?...
- Eu não sei e não sou parvo. Tu sabes?
- Claro, é uma miúda assim toda jeitosa, boa...
- Ah... Atão é o mesmo que grossa...
- É pá és mesmo atrasado. Grossa é muito melhor que brasa.
- A Mi quando fôr grande vai ser grossa e brasa, não é Mi?
- Deves ser é parvo. Eu quando fôr grande vou ser é uma Mantorras.
 
BlogBlogs.Com.Br