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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Já sou grande?

Perdi a redacção mas, durante muitos anos imaginei esse momento bonito. Caiava uma casa térrea, de lenço na cabeça e com a ajuda dos filhos. A mangueira derramava água fresca rua abaixo e ouvia-se música alto. Soavam guitarras de dentro da casa. As cortinas, brancas e leves esvoaçavam janelas afora.

No nosso bairro todas as casas têm quintal. Hoje caiei o meu. Os miúdos divertiram-se bué, a mangueira lavou chão, plantas, pés e alma, o Carlos Paredes tocou só pra mim, muito alto, e as cortinas, brancas e leves esvoaçaram janelas afora .

Esta noite acenderei uma vela. Ou melhor duas velas. Uma na chaminé e outra no meu coração.

domingo, 12 de agosto de 2007

Quando eu fôr grande

Noutro dia, remexendo nos antigamentes, encontrei uma velha redacção da terceira classe. Dizia assim:

"Quando eu fôr grande não vou ser muito grande porque vou continuar a fazer coisas de pessoa pequena. Vou brincar e dizer graças como o meu pai e, se calhar, vou ter cabelos um bocadinho brancos como a minha mãe.
Eu acho que nunca vou ser uma senhora assim muito verdadeira, daquelas com os cabelos levantados, os sapatos altos, a cara pintada e um bocado toleironas.

Vou ter um trabalho e vou ter uma casa com quintal. Acho que vou ter filhos e que eles também vão ser alegres e diabretes.

Vou tocar e cantar músicas bonitas, vou abrir as janelas todas da minha casa, pôr um lenço na cabeça amarrado atrás e vou caiar o quintal. Os meus filhos vão regar as plantas com água fresca da mangueira de borracha.

Vai ser uma festa. Eu ainda não sei bem se é bom ser uma pessoa grande."
 
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