sábado, 17 de janeiro de 2009
segredos...
triste, não é?
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
kota???
- E que tal, é simpática?
- É assim mais ou menos. Fala baixinho e é assim, já um bocado velha.
- Velha?
- É. Acho que deve ter praí quase uns quarenta anos...
- O quê?!!!
- Quarenta ou trinta oito, assim mais ou menos.
- E isso é velha?
- É um bocado, não achas?
- Bruno, tás-me a dizer que eu sou velha?
- Tu não, ela é que é. Tu nem deves ter 33.
- Mais dez.
- Népes. Achas?
- Não acho, tenho a certeza. 1965, grande ano!
- Ah, mas é diferente. Ela é assim tipo avó nova e tu és tipo mana mais velha.
E mais, tu fazes anos no fim do ano. Aposto que ela faz logo em Janeiro...
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
às terças
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Contas e mais contas
Gosto da prova dos nove. No final de cada operação contar os algarismos um a um, novesforando nada e retomando e zerando até ter certeza do certo da conta. Sinto este 2009 exactamente como a prova matemática. De renovação. Noves fora nada. Bora lá corrigir as erradas.
Desconsigo avançar nas contas. Pode ser frio. As mãos gelaram. Ou sono. Acordar custa bué. Talvez preguiça de alcançar o amanhã. Ou distracção de perder pelo caminho. Quiçá medo de tentar, tentar e não chegar à conta certa.
O meu desejo, neste Janeiro, é ser capaz de pôr as minhas contas em pé.
domingo, 11 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
brrrr
O meu amigo Daniel tem muitos anos, nem ele sabe já quantos. Tem sorriso aberto e franco. As mãos quentes apertam as nossas. Ingenuidade de menino pequeno e vida dura de quem vive na rua. Também ele emigrou. No sentido contrário ao que quero me espere. A vida deve-lhe muitos Verões. E Primaveras. Outonos vão-lhe dando os homens, mas mesmo assim, gota a gota. Como se lhes pertencessem. E só se o frio apertar.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Noves fora nada
Também a vida, às vezes, é assim.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Às terças-feiras
Quando chego, a casa já adormeceu. É tão bom dar-lhes aqueles beijos mornos, muito ao de leve, para não os roubar aos sonhos. E sonhar com eles, mesmo que ainda acordada.
Sonhar mundos justos, dias felizes, pés descalços pela areia, silêncios, ternura, pele.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Amor para sempre?
"Às vezes o amor", Sérgio Godinho
E eu, que sempre acreditei nessa utopia, contrariada pelos defensores do amor confortável e fraterno dos trinta, quarenta pra cima, fiquei assim tipo gente feliz com lágrimas que podia ter nascido cisne e deixou-se ser patinho feio.
Sopa sem tempero a nada sabe. Pode-se tirar o sal ou o azeite, mas os dois é demais. Se se for aquecendo ainda se vai comendo mas, deixando passar tempo, por mais que se ferva, mais das vezes azeda.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Caril de camarão
Depois de feitas as compras de:
2 cebolas picadas
De mãos bem lavadas e avental posto, picam-se as cebolas e os alhos para um tacho e cobrem-se de azeite. Refoga pouco. Junta-se o camarão, uma casca de limão, o pó de caril e os coentros. Mexe-se e socializam uns breves minutos enquanto se descascam as maçãs, que em quartos lhes vão fazer companhia. Mal tenham tomado conhecimento uns com os outros, deita-se o leite de côco, tapa-se o tacho e em lume brando vão apaladando. Antes que a maçã se desfaça, retiramo-la para outro recipiente mais à casca do limão, aos coentros e bastante caldo acrescentando ainda a outra casca do limão, 1 bocadinho de côco ralado e a pitada de farinha. Com a varinha mágica reduzimos esta mistura a puré e deitamo-la sobre os camarões que estão no tacho. Apura em tacho destapado, lume baixo e mexendo de quando em quando. Acompanha com arroz branco.
sábado, 3 de janeiro de 2009
piridostigmina brometo?
Às vezes, quando as forças me querem faltar penso nas guerreiras que vocês duas são. Duas mesmo. Sem essa união forte de luta, o caminho teria sido mais turtuoso e a sagacidade e a coragem teriam fraquejado. Coisa de mulher!
Acreditamos que o impossível possível é.
Por isso já trocámos ampolas de não sei quê por pasteis de belém a queimar de quentes, numa urgência de Lisboa, ao amanhecer. Chovia a potes mas o bombeiro Pinto trazia o Verão inteiro no olhar e nas mãos rugosas que apertaram as nossas. Naquela hora foram seis as nossas mãos.
Como seis são as mãos que recebem cada caixa de mestinon recolhida onde fôr. Postos de correios, áreas de serviço de auto-estrada, recepções de empresas, amigos, colegas de trabalho, amigos de amigos, conhecido da namorada do primo da cunhada da tia do vizinho do outro lado da rua e até farmácias mais à mão onde veiu parar nem se sabe bem como.
A luta continua! A vitória é nossa!
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Dia primeiro
Mínimos ligados, caras fechadas, num passeio de matar tempo livre. Só e apenas.
Já é 2009!
A criançada foi adormecendo, anestesiada de cansaço, excitação e muita brincadeira.
Os jovens mudaram-se e mais às suas guitarras, caixas de jogos e restos de comida para uma casa sem vizinhos, onde possam fazer de hoje o ainda ontem em festa.
Foi noite de partilha entre os amigos que foram passando cá por casa.
Família, a bem dizer.
Uma mistura de costumes, de lugares e de estórias de contar e acrescentar. Húmus com pão branco, moamba de galinha com arroz lavado, caldo verde, cachupa badia, caril de camarão, arroz doce e muitos abraços, sorrisos abertos, choros sentidos de saudade e telefonemas das mães lá tão longe.
E eles tão cheios de frio e de esperança.
Pedro, Lopo, Dinis, Manel, Mário, Paulinha, Madalena, Isabel, Leonor, Gonçalo, Rony, Sara, Fábio, Nilton, Humberto, Fátima, Paulo, Lucília, Daniel, Jean e Dimas, ainda bem que vieram. Voltem sempre meus amores.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
parece o ano vai mudar
Foi. 2008 foi assim tipo mais ou menos que tal e coiso foi andando com dias melhores e piores e outros que nem por isso.
Aos tantos que me permitiram fazer parte das suas vidas mesmo em dias de más disposições e repentices, que cravei sem dó nem piedade e moram lá no fundinho do meu coração aquele abraço apertado e a gargalhada fácil do costume. Continuem a ter paciência e a estarem aí.
Às nossas meninas do andebol, frescas, giras, atrevidas e ganhadoras só peço que continuem a dar o vosso melhor na escola, no trabalho e no campo e, já agora, se ficassem nos primeiros lugares do campeonato até que era fixe.
Ao resto dos que fazem a Assomada acontecer todos os dias: Andreia, Xando e Zé nos treinos, Carlota e suas rabentolas e ferramentas, grandes batucadeiras e fantásticos ferro e gaita, Hélder e demais voluntários da sala de estudo, malta da percussão e todos os que uma forma ou de outra têm vestido a nossa camisola, continuem. É bom podermos contar com vocês.
Muito obrigada ao pessoal da Companhia de Actores pelo BIG voto de confiança que foi o vosso convite. Essa foi a grande surpresa do meu 2008. Aquele abraço! Estamos aí!
À malta do Ampliarte, aos meus explicandos de matemática e estatística, aos jovens que vou melgando e abraçando, que sempre se entregam de brilho no olho e que me permitem continuar a acreditar que sonhar é possível e que futuros risonhos hão-de amanhecer, muita pica, sempre!
Mana, bora lá ganhar juízo e ter vida!
Rapaziada, um dia destes a vida vai mudar e vocês vão ter mãe a sério, daquelas assim tipo normais e que chegam às 17:30h, não param de vos atazanar a cabeça e inventam programas fixes de ir passear ao shopping e fazer formações de auto-ajuda ou qualquer coisa acabada em terapia aos fins-de-semana.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Logo hoje ...
Quero ir e quero ficar. É sempre assim. Quero a vida e o aconchego dos dois lugares. O mar de lá é frouxo, sem alma, sem cheiro, sem som, mas a gente, a minha gente, é quente de alma e coração, cheia de ritmo e de vida até em dias de agrura. Lagos é o regresso ao berço de paz, ao abraço demorado da minha mãe e à descoberta de sensações adormecidas e despertadas de praia em praia, ao sabor da maresia e da mudança das marés.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Hoje dia não
Redimi-me dum ano inteiro de impaciências e crises de mau feitio de braço estendido, no serviço de sangue dum hospital, deixando-me sugar para bem alheio. Há quem se confesse ...
Arrastei-me de lá com todas as memórias de dor e de esperança que o lugar já me deu. Retemperei forças num areal deserto, ao rugir do Sueste, trincando ora nozes ora chocolate negro e afogando mágoa, à falta de tinto, num pacote de sumo de maracujá, nectar da paixão sem ela.
Volto à estrada num carro que não queria meu. Os meus pés, acostumados a pedais de machimbombo deixam-no ir abaixo todas as vezes que não devia. As três horas de espera são duras de roer. O cd do Zeca Afonso em vozes alheias roda e torna a rodar e, quando, lá na inspecção, chamam o proprietário do veículo tal e ouço o meu nome, a resposta foi a mesma de quando perguntaram a quem se destinava o sangue: golpe fundo, de morte.
Sem querer abri pranto e rolei, rolei, serra acima até o nevoeiro não mais me deixar seguir até à Foia. Ouvi o silêncio na penumbra do vale e o eco do meu choro de volta.
Parece só hoje te enterrei, pai.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Por mim
Quiz desejando e parece fui capaz.
O sol voltou, de mansinho. A minha Meia-Praia encheu de tanto mar e o papagaio novo aprendeu a voar no céu de Alvor. Meio nublado. Chorando maresia. Ecoando fúria como o meu búzio de estimação.
Do céu cairam paraquedas de mil cores. Desejei ser um deles e voar por aí.
Da noite rompeu a "Lua", gemida pelo trompete do Tomaz Pimentel e a voz do Zé Manel. Kompanhêra di solidão. Testemunha de vida.
Quiz ...
sábado, 27 de dezembro de 2008
Desejando ...
Parece que também a chuva me trouxe desejo de desejar. Costuma só trazer desejo de acabar depressa ou, se a vida deixa, desejo de ir estrada fora até uma qualquer ravina de mar áspero e senti-la viva, a bater forte na chapa e no vidro da carrinha, manta quente sobre as pernas com musiquinha a acompanhar e, às vezes, quase num laivo de loucura, desejo de me enfiar no velho impermeável vermelho e ir indo, chapinhando, deixando-a lavar cabelo, corpo e alma, sentindo o vento que sempre sopra do lado de lá da Peninha, em busca de liberdade.
Tenho sede.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Natal em Lagos
Porque raio é que a tijoleira, que é bonita, é um facto, tem que revestir todos os pedaços de chão aqui de casa e permitir que o frio me entre pelos pés e suba, suba, até quase deixar de sentir todas as partes do corpo?
Sobreiluminaram a minha cidade num bom gosto algo duvidoso. Uma passagem de arcadas em tons de azul e branco qual caminho para o paraíso, calçada atapetada de vermelho e pais-natal ladrões pendurados até nas sacadas mais bonitas do centro histórico. Deserto. Frio. Abandonado.
Os sapatos de toda a gente adormeceram sobre o fogão da cozinha e acordaram recheados das coisas boas que fazem crescer sorrisos e sonhos: gulodices, alvo de setas, papagaio de papel, cartas de mimos e de amor e as cuecas e meias que, acho eu, marcam presença em todos os sapatinhos lusos.
A euforia da madrugada do 25 de Dezembro faz parte do meu imaginário infantil, a magia doce de não querer saber a verdade, o nervoso miudinho do rasgar do embrulho, o deslumbramento da descoberta e o sorriso gaiato do meu pai que, de olhos ao céu, sempre dizia: "Obrigado Menino Jesus" - nunca querendo saber quem tinham sido os ofertantes.
Também este ano mantivemos esse gozo das surpresas na manhã do dia de Natal, agora com a nostalgia da falta do seu maior entusiasta. É. Custa bué. Levei-lhe o possível, uma flor roubada num canteiro da avenida. Fechei os olhos e as lágrimas correram sem fim. Senti-o presente. Acho está cá dentro, no aconchego do meu coração.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Desejos
Não é desejo de desejar embrulhos de papel bonito e laçarote reluzente. Nem desejo de faz de conta darmos todos as mãos e sermos todos amigos. Nem desejo de pegar numa agulha e coser o buraco de ozono com pontos muito muito apertadinhos.
É desejo de mim.
Parece o frio me vem lembrar do querer ser mulher.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Vidas...
Neste tempo fugaz o tanto aconteceu. Cruzamo-nos por aí. Desconsegui travar.
O alegre Domingos morreu, a assustada Amélia quase pariu ali na rua, encantei com as estórias e as estigas do Ondjaki, entreguei-me à magia do "Perlimpimpim", descobri a costura em bonecas de trapo, degustei responsabilidade social, embaracei variância com desvio padrão e baralhei angústias com o verbo abraçar.
Quiz desejando e não fui capaz. Quiz apanhar o eléctrico amarelo e ir d'Algés ao não sei onde espreitando luzes e sonhando acordada. Quiz acordar a caminho do Cabo Espichel e ir amanhecendo campos fora, de encontro ao mar. Quiz entrar pela noite enlaçando uma morna chorada di kretcheu. Só quiz ...
Vitórias e derrotas. Tristezas e alegrias. Vidas ...
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Santa Catarina
Festa de Santa Catarina na Outurela. É um dos momentos em que sinto viver África sem sair do meu poiso. Muitas semanas antes começam as reuniões e as suposições do que será necessário para que a próxima seja a melhor Santa Catarina de sempre. Sempre se quer melhor.
Na véspera a correria acelera. Comprar flores, comida e bebida. Conferir licenças. Montar e entregar tendas. Já mais à tardinha, preparar o andor, descascar e picar dezenas de quilos de alhos e cebolas e começar a cozinhar, arrumar centenas de cadeiras, verificar detalhes enquanto o côro dá os últimos acordes do ensaio. A noite que se quer longa parece acabar num ápice e logo logo já é hora de recomeçar o que ainda não acabou. As panelas continuam ao lume. O cheiro dos cominhos e do louro enche o ar e os óculos embaciam à entrada na cozinha. Sempre bem recebem quem chega. Cantoria, abraços e beijos entre piropos e algum agrado.
A imagem de Santa Catarina já tinha pernoitado no pavilhão. Chegou de véspera, aos ombros de jovens estudantes, que vieram dos muitos lugares de Portugal onde estudam em resposta ao cumprimento de uma tradição.
O coro dirigido pela D. Domingas fez as honras da casa e animou a missa, presidida pelo Bispo do Mindelo, D. Arlindo, acompanhado pelo Bispo de Lisboa, pelo nosso Padre Zé Manel aqui da Outurela, pelo Padre Dex, representante da comunidade angolana, pelo capelão da Marinha Portuguesa, entre outros celebrantes.
As oferendas chegaram ao altar pelas mãos de jovens do bairro, numa dança ondulante, marcada pela batucada e pelo sentimento expresso nas palavras ditas e cantadas. Ao altar levaram o que espelha a comunidade onde vivem: o tijolo e o martelo do trabalho árduo de todos os dias que traz sustento às famílias, o livro e a bola da educação dos filhos que esperançam melhor que a sua, o pano di terra e o violino como símbolo da alegria e da cultura de origem que fazem por manter viva nos respectivos seios familiares e o sempre cesto de vime repleto de fruta fresca, mandioca, feijão e maçaroca que pedem não falte em cada dia.
Manhã cedo, tarde fora, noite dentro.