quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Querida televisão?

Já lá vão uma meia dúzia de meses que a televisão aqui de casa pifou. Fomos vivendo sem ela. Bem. Muito bem mesmo, achava eu. Conversávamos mais, deitávamo-nos mais cedo, partilhávamos os afazeres e, principalmente, ouvia-se muito mais música e lia-se pra lá do dobro.

Muita gente amiga teve intenção de oferecer uma televisão mas consegui ir explicando que estávamos bem assim e que no Inverno logo se veria e tal e coiso e pardais aos ninhos a malta ia achando estranho mas encaixando, até porque quando passavam por cá até sentiam que sim senhor até era uma boa opção.

Quando havia assim um desafio de futebol, daqueles que aqui a rapaziada e até eu achávamos imperdível, lá iamos jantar uns grelhados a uma daquelas tascas que têm sempre o bendito aparelho ligado à hora das refeições. Do que eu sempre reclamei, aliás, mas que agora dava imenso jeito. E depois tinham sempre os fins-de-semana e férias em Lagos, na casa da avó, para se encherem de eurosport e national geographic.

A avó, essa mesmo, é que nunca mais dormiu descansada porque isto da televisão faz muita falta numa casa e porque toma e porque deixa e que não faz sentido nenhum viver desinformado e porque estão sempre a dar programas que até eu havia de gostar quanto mais as crianças e ... por aí fora.

Hoje, logo logo de manhãzinha, dois desconhecidos entraram-me pela porta com um enorme pacote postal proveniente de Lagos. Deve ter entrado nalguma loja e não resistiu à tentação. Só faltou embrulhá-la em papel de seda com um belo dum laçarote de fita metalizada.

Quatro pares de olhos esbugalharam. As respectivas bocas escancararam de pasmo. Estão lá, como que hipnotizados, sentados no sofá, repetindo: "Que fixe!"

Não gostei. A tal mal chegou e já a sinto a mais.

1 comentário:

1 na Mesa Redonda disse...

He he he
Onde uns vêem nas supostas máquinas que representam o progresso tecnológico um obstáculo, outras pessoas "sentem-na a mais". Infelizmente, essas são sempre as minorias, embora as minorias normalmente tenham razão...
Um abraço de Lagos
1 na Mesa Redonda

 
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