segunda-feira, 20 de abril de 2009

elas

Ao longo do dia de hoje fui-me lembrando de mulheres idosas que, por uma ou outra razão estão ligadas à minha infância em Lagos. A minha bisavó Dlim-Dlim, assim alcunhada por nos baloiçar sentados no seu pé direito e que há muito vivia no mundo da imaginação; a avó Aldegundes, mestra doceira algarvia sempre de mesa posta e porta entreaberta; a avó Naicinha, mulher rija da serra, alegre, cantadeira e conhecedora dos segredos do campo; a Ti Torres que morava atrás do cemitério e amanhava os braços e os pés torcidos, a Ti Estrudes do Ti Henrique que já não saia de casa e ficava na janela a perguntar as novidades e a coscuvilhar o mais que podia, a Ti Piedade quer-matar que aviava as pevides e as alcagoitas à porta do cinema, a D. Augusta parteira e mais o seu 4L pintado com tinta de parede, a Etelvina rua acima rua abaixo nos recados à D. Pepa, a senhora Adelina encostada à telefonia que debitava notícias do mar, a doce menina Otília e a ríspida D. Bibita onde todos os miúdos andaram na escola-paga, a Ti Bia da venda onde se vendiam os melhores pirolitos da Porta-dos-Quartos, a senhora Chica das bananas na Rua Direita, a senhora Virgínia da fruta na Praia da Batata e as avós todas que nos esperavam na volta da escola com pires de arroz-doce, ralhetes, recados e mandados mas principalmente com colos disponíveis e estórias tantas de contar e sonhar.

2 comentários:

Emigrante disse...

Ah! Saudade "mãe de meninos".
Sentimento doce e dificl.

Bjs

Teresa

Aguimas disse...

Tb me lembro de algumas.

 
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