segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
nostalgia
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Vó Natalina
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Noite fora, de Belém à Trafaria, indo e vindo, ao sabor do horário do cacilheiro, da música saida do ipod e dum lanche embrulhado às pressas. Deixarmo-nos ir adormecendo e acordando, entre palavras, enquanto lá fora a chuva cai, as ondas galgam os rochedos e o farol do Forte de São Julião nos liga à firmeza da terra.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Terra à vista ?
No sempre depois-já-quase-a-seguir, as feridas saram, os caminhos voltam a ter rumo e o sol e a lua seguem o seu percurso estudado de fazer dias soalheiros e noites luarengas, trocando-nos as voltas em eclipses não previstos na metereologia do canal público.
Assim têm sido os anos passados. Despedimo-nos do sol à tardinha, na babuja salgada de mar chão ou revolvo, consoante os dias e acordamos na partida da lua, fresca de geada ou seca de tanto estio. De quando em quando também ela entardece a tempo de ele se despedir ou então é ele que a espera na linha recta do oceano, ambos em sede de reencontro e desejo de passos paralelos.
Tenhamos nós a capacidade de pegar numa mão cheia de boa vontade, tolerância, criatividade qb, amor próprio e ao próximo, acrescidos da experiência e trabalho acumulados, produziremos certamente obra com sucesso garantido.
O que não quero não é a lua quase cheia nem o sol de Outono. É mesmo e tão só a escuridão do céu que quero azul seja noite ou dia.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
15anos15anos15anos15anos15anos
Falam tão alto que até dói lá no fundo dos ouvidos. Confesso que já teve dias que os atulhei de algodão, correndo o risco de nem ouvir alguma sirene que me avisasse que estava na hora de mudar de rumo, não fora encontrar-me com alguém, ainda que amigo, que não apreciasse assim onze ou doze miúdas mais eu dentro duma carrinha supostamente para nove pessoas. Eles às vezes são assim um bocadinho pouco compreensivos, exageram, nem percebem que elas são fininhas e que aconchegadas umas às outras até vão mais seguras.
E falam todas ou quase ao mesmo tempo. E cantam. Daquelas músicas fantásticas que falam de amor e de traição e que fazem choram as mais rústicas pedras de calçada. E contam, contam, contam. Da escola, das amigas que afinal não são bem amigas mas que amanhã ou daqui a bocado já são de novo, daquela imensa paixão que tira o sono à noite e o traz de volta logo na primeira aula da manhã, exactamente quando a setôra estava a explicar a matéria que saiu no teste de hoje e vá lá ver-se se não foi até de propósito, porque há setôras que até são más. As tais que não são bem amigas é que são um bocado anhadas e ainda têm a lata de dizer que foi bué fácil e isto tudo só porque o miúdo mais giro lhe calhou par na equipa de badmington do ano passado e foram juntos às finais ao Norte e ficaram lá sózinhos com a DT um fim-de-semana inteiro.
Elas não sabem é que ele afinal não foi o garanhão que ela descreveu pois muito pelo contrário. Mas se lhes contasse que o dito chuchava no dedo, chorou com saudades de casa e, pior de tudo, dormiu sempre de meias e pijama de flanela a sua reputação estava concerteza completamente arruinada.
E há riscos que uma miúda não pode correr ...
terça-feira, 27 de outubro de 2009
contra a corrente
mmm
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
sem palavras
passou quase um ano desde que te perdi o rasto. mergulhei por lugares que desconhecia existirem, rodei quilómetros procurando uma pista, escrevi centenas de mensagens que não chegaram ao destino e fiz-te morta quando tive certezas que estavas viva.
continuo por cá. nas mesmas lutas, nos mesmos lugares, acreditando quantas vezes no impossível e comprando guerras que podia fingir são de paz. sonhando demais provavelmente. ou fugindo do que me assusta e tormenta.
quantas e tantas vezes pensando por onde andas, que pensas, se sofres, se ris, se me riscaste da tua vida, se voltas, se ... duvidando da força do querer e abandonando esperanças vãs dum reencontro intemporal.
bastou ouvir-te a voz para que um misto de serenidade, pranto e vitória se instalasse. Tem vezes a razão é fraca e só o coração tem palavra.
ainda bem que voltastes.
domingo, 23 de agosto de 2009
De volta à labuta
Meus queridos CDA's,
Claro que estou cheia de saudades vossas e dos vossos fantásticos abraços e mimos mas bom, bom, era poder juntar esta maravilhosa suestada numa trouxa de pano di terra, levá-la comigo na furgoneta e, à chegada, espraiar a Meia por inteiro aí mesmo no terraço do nosso atelier ou no parque, entretanto já quase despido do nosso festival de emoções.
Quase tenho peso na consciência de ter tido o atrevimento de vir de férias e deixá-los aí todos na labuta. Mas aqui a mamacita não esteve só a banhos e a curtir o terraço e os petiscos da avó Maria que, confesso aqui entre nós não está fácil de aturar, é a verdadeira mãe de filha única, com todos os caprichos e casmurrices a que tem direito mas também com as lamechices e todas as coisas boas que só as avós parecem saber de cor.
Volto de energia em alta depois de muitas horas de sono, de livros e de Meia-Praia. Devia ter acabado relatórios, disfrutado algum tempo com os amigos de cá, tratado daquelas burocracias infernais de finanças e afins, mandado caiar os muros e limpar as valas e até jantado num lugar simpático nem que fosse uma só vez, mas, desta vez, só consegui mesmo ser mãe relativamente atenta, filha pouco dedicada e salvadora do que ainda de mim restava.
Daqui a uns minutos abalo. Deixo os gaiatos e o pai deles em mais um fértil período de avósanso e vou por aí fora, de janelas abertas, música alto, direitinha ao CCB para o espectáculo dos Terrakota. É lá que nos encontramos, não é?
Beijos, beijos, beijos
mmmmm
domingo, 2 de agosto de 2009
Verão no Parque
O Parque da Quinta do Salles tem sido palco de múltiplas vivências formativas e lúdicas, de partilha de saberes e de encontro de quem bem se quer. Vibrámos todos com os Terrakota, a Marta Plantier, a nossa Valéria e a Lura. Dançámos e cantámos juntos até o que não sabiamos de cor, inventámos soluções para os imprevistos entre aulas de capoeira e de kizomba, de pincel ou de chave de fendas nas mãos, acreditando sempre que sempre é possível.
Subi agora ao atelier para apanhar um panelão de sopa que as mães fizeram durante a tarde. Lá em baixo, na relva, as tendas estão montadas em meio círculo, de frente para o palco. As guitarras soam, os jovens rappers cantam ao desafio e os mais piquinotes vão-se encostando, ao sabor das estórias que se vão soltando.
Não sei se foi isto que sonhei mas não tenho dúvidas do quanto sou feliz nesta comunidade que, há muito, tão bem me acolheu.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Maria
A chegada da Maria foi a calçada alinhada, o depósito quase cheio, as horas que até parece têm mais tempo. Não sei se é uma espécie de grilo falante se uma voz em gestos precisos de segurança, mas sei que lá de dentro vem coisa boa.
Ainda bem que vieste.
,,,
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Nô djunta mon
Correm, riem, jogam, juntam-se e desjuntam-se em grupos, consoante as indicações dos moderadores. Silenciam nas explicações, colocam dúvidas e correm de novo pelo terraço, já sombreado pelo tarde da hora. Quando forem grandes querem ser jogadores de andebol e de futebol, bombeiros, polícias, professores e artistas. Os que já são grandes vão galgando caminhos e cruzando metas. Mas todos eles não nos deixam dúvidas quanto à sua generosidade.
Juntos desenharemos os amanhãs sonhados.
terça-feira, 14 de julho de 2009
de caminho
Acendo um último cigarro, aterro num dos pufs do terraço e deixo-me ir, sonhando .
quarta-feira, 24 de junho de 2009
do fundo do coração
Se calhar devia ensiná-las a escrever só cartas de mentira, daquelas que começam por "Queridas primas, Desejo que esta carta as vá encontrar de boa saúde que eu estou bem graças a Deus", que terminam com "muitos beijos e abraços desta prima que muito vos estima" e que pelo meio falam do sucesso do emprego dos filhos, de como os netos vão bem na escola, da televisão nova que acabaram de comprar e do bom que é viver na Europa.
Mas essas são as cartas que depois da lição são deitadas no marco do correio. As outras, as que nunca são enviadas, falam das fraquezas, da pobreza, dos maridos ausentes, da falta de amor, da luta de cada dia, das patroas, do frio do Inverno, da demora dos documentos, da sede de afago,daquele aperto no peito que tira vontade de tudo e do grito rouco que vem lá do fundo e dá aquela força de continuar a acreditar em amanhãs melhores.
Esta noite, quando todos dormirem, vou escrever-me uma carta.
ssss
quinta-feira, 18 de junho de 2009
primeira vez

É o primeiro dia de escola com tantos novos amigos, a professora, boa ou má que nunca vamos esquecer e aqueles recantos de recreio que se vão tornar a nossa casa;
A perda do carrinho mais veloz que se acidentou escadas abaixo, a mancha de tinta verde no vestido preferido, o primeiro dente de leite a abanar, o nosso nome escrito em letra de mão e sem ajuda no caderno diário, as manhãs as tardes e as noites que passam a ser tantas horas e tantos minutos, lidos a custo num mostrador de relógio, a bicicleta que finalmente deixou de tombar e aquele miúdo parvo que não nos sai da ideia.
A descoberta do próprio corpo, o prazer e a dor da paixão, a primeira saída à noite com os amigos, de cigarro e cerveja em punho, ainda com horas de voltar mas com chave de casa no bolso, o calor do desejo e a pressa de o calar.
terça-feira, 16 de junho de 2009
ser mãe
segunda-feira, 1 de junho de 2009
gente pequena
Cresci filha única e fui ganhando irmãos com o correr dos anos. Coisas de coração. Além dos meus três rapazes há sempre um corropio de miúdos lá por casa e sobrelotando a carrinha, falando uns mais alto do que os outros num frenesim de quem tanto tem para contar que nem quer saber se é ou não ouvido.
Tropeçam em berlindes e em palavras, apertam-se em abraços e em lutas, zangam-se, fazem cara feia e as pazes, dão mais abraços e prometem paz para o sempre que é já dali a bocado .
Vamos de barco até Almada para ver o Cristo-Rei bater as palmas, mas sempre chegamos depois da hora. Pelo caminho aproveitamos para contar alegrias, medos e truques de escrever cartas de amor em código, com sumo de limão e deitá-las na Praia de Santo Amaro ao cair da noite da próxima lua cheia.
Falamos de coisas sérias e obrigações. Pedimos humildade, educação, trabalho na escola e no pavilhão, respeito pelo próximo, cumprimento de regras e mais aquelas cenas todas que até nós sabemos são peso demais para quem ainda acredita que o mundo é lindo, ridondo e de todas as cores.
Ontem, no palco grande das Festas do Concelho de Oeiras, os miúdos do Centro Comunitário do Alto da Loba encheram-nos o coração. Crianças de diferentes nacionalidades apresentaram danças tradicionais dos vários países de origem. Africanos bailando e falando russo, brasileiros dançando o luso regadinho, moldavos rebolando num funaná a preceito e todos juntos, sambando, cantando, de mãos dadas pela amizade imensa que os une.
Às vezes, no fim do dia, não nos sobra quase nada mas acho já não seríamos capazes de viver longe desta algazarra, né mana? Eu chamo-lhe tempero. Tu chamas terapia. Há quem chame loucura ...
quinta-feira, 21 de maio de 2009
de volta ...
quando os dias crescem e fica mais quentinho, parece até o futuro é mais grande e quase tudo tem solução.
a cantoria da passarada e o resmalhar dos eucaliptos. o cheiro das figueiras. as risadas e as lengalengas dos miúdos no regresso a casa. os mais velhos recolhidos nas sombras do parque jogando uril e contando parte. as paixões cegando a razão. a tijoleira aquecendo os pés nus e o entardecer sublime de quem não quer ir já para o amanhã.
mm
quarta-feira, 13 de maio de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Deixa-te ir ...
Deixa-te ir.
Nos sonhos, parece até o amor é de verdade.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
D. Revolução
Eram oito e pouco da manhã. O portão de ferro da entrada da escola não estava escancarado. A criançada não brincava no recreio da frente. Nem no de trás. A menina Clotilde avisava assim quase sorrateiramente todos os que iam chegando:
"- Vai pra casa piqueno que a D. Revolução chegou esta noite".
Também voltei. De caminho, fui espreitando os burros do vizinho Seromenho, a mercearia do Joaquim Guilherme, a venda da Bia e metendo conversa com o Manel dos Pincels que, empoleirado na sua velha escada de madeira caiava as varandinhas da Porta dos Quartos.
- Atão menina, o Senhor Professor caiu da cadeira ou foi a senhora dele que teve menino?
- Diz que a D. Revolução tá na escola ...
fui dizendo, enquanto amarinhava escadas acima, abrindo rasgão no engomado bibe branco e pintalgando as tranças já tão meio à banda.
A minha avó espreitou do postigo:
- E quem é que vem a ser essa da D. Revolução?
- Eu cá acho que deve ser ...
E nem fui a tempo de dizer "inspectora". A minha avó já bradava lá de cima que a magana que tinha acabado com bibe tão bem costurado bem se podia ir preparando para escrever vinte cinco linhas de "A bata da escola é branca de neve, sem nódoas nem buracos".
Depois, no meio do alvoroço do pessoal, das cantorias, dos soldados que sairam do quartel sem ser a marchar, do coro de "O povo unido jamais será vencido" a minha avó esqueceu-se do castigo e tratou de mandar chamar o Manel dos Pincels para vazar, limpar e caiar a cisterna, não fosse o diabo tecê-las, o tempo voltar pra trás e a família precisar dum lugar seguro para se esconder não sabia de quem.
Na folha de vinte e cinco linhas só escrevi:
Lagos, 25 de Abril de 1974
quinta-feira, 23 de abril de 2009
afinal, quem ?
Chamaram-lhe Maria de Fátima e cresceu Fátinha. Atrás do sonho de vida melhor aterrou em Lisboa no princípio dos anos 90. Descobriu pouco depois que afinal não tinha vindo para o paraíso. A patroa não pagava nem fazia contrato, estava muito frio e a escola não aceitava estrangeiros não regularizados.
Penou nas filas do SEF e nunca chegou à sua vez. Fez o que continuam a fazer muitos imigrantes: inscreveu-se numa empresa de serviços com documentos mais ou menos emprestados por um conhecido, que dizia serem duma irmã que já tinha voltado para a terra. Apresentou-se como Georgina para trabalhar num hotel na linha do Estoril, poucos dias depois.
Parece a vida já lhe sorria. Gostavam dela no emprego, recebia gorjetas dos clientes, morava numa casa simpática com o companheiro e os dois filhos nascidos entretanto. Um dia a chefe chamou-a à recepção, alguém procurava por ela. Eram da polícia e vinham buscá-la. Por mais que explicasse que a Georgina não era ela, que os documentos que estavam na mala eram só emprestados, foi na mesma julgada e condenada a 4 anos por tráfico de droga.
Na cadeia foi conquistando a confiança de todos e com a ajuda de uma advogada oficiosa conseguiu ser ilibada de tráfico e condenada por utilização de documentos falsos. Saiu aliviada mas sabedora de todos os truques de como enganar o parceiro ou fazer seu o objecto alheio. Desesperada e sem emprego, envolveu-se e ao companheiro em burlas e gamanço e acabou por ser apanhada no SEF quando foi levantar documentos. O companheiro foi preso e ela expulsa do país.
Na terra só passou os dias necessários para visitar a família e arranjar passagem. Menos de uma semana depois aterrava em Lisboa como Edite. Apanhou os filhos na casa da amiga onde os tinha deixado, disse à patroa que tinha estado internada no hospital, alisou a cama que continuava desfeita, marcou a data de casamento para o mês seguinte e voltou à lida.
Actualmente marido e mulher trabalham, as crianças frequentam a escola oficial e aguardam que os cinco anos do período de expulsão chegue ao fim. Nesse dia, se tudo correr bem, talvez o Luís e o Zézinho deixem de ser filhos da Georgina, o pai deles se divorcie da Edite para casar com a Maria de Fátima e finalmente sejam uma família de verdade. E feliz para sempre, também.
terça-feira, 21 de abril de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
elas
sexta-feira, 17 de abril de 2009
amor ???
e apodrecer, não?
lll
quinta-feira, 16 de abril de 2009
não há palavras ...
terça-feira, 14 de abril de 2009
Dizer o quê?
Há apenas umas horas o Santiago cantava o "patinho" e batia palmas de alegria. Atirava beijinhos, gatinhava a 100 à hora e pulava de colo em colo. Há apenas umas horas o Nelson e a Patrícia eram uns jovens pais orgulhosos das gracinhas do seu rebento. Há apenas umas horas o sol brilhava entre os pingos de chuva e um arco-íris iluminava o cinzento escuro do céu.
Tudo se apagou. Escureceu de breu.
terça-feira, 7 de abril de 2009
ASSOMADA ki ta rabenta

Durante a semana vamos lá ao final do dia levar e receber os mimos, ouvir as queixas,as saudades e as novidades de cada dia.
Aqui que elas não escutam até se pode dizer: - São tão giras!!!
E o bom que é sabê-las tão bem entregues ao cuidado das companheiras mais velhas, juníores ainda, mas com grande sentido de responsabilidade técnico e humano. Orientando os jogos, tratando as que se magoam, ralhando quando preciso, zelando para que se alimentem e descansem devidamente, que cumpram as regras e que aproveitem a oportunidade para se divirtirem e fazerem novos amigos.
Dá, Leila, Sofia, Célia, Susy e Edna, brigadão meninas.
Miriam, Sónia, Anissa, Jessica, Márcia, Marta, Vânia, Beti, Miriam, Sara, Débora, Miriam, Erika, Bebé, Andrea, Luísa, Odete, Jessica, Cristiana, Tchu, Solange, Tâmara, Claúdia, Liliana, Vanessa, Tânia, Sílvia, Maria José, Aninhas, Méri, Vânia, Mica e Carla, divirtam-se muito, portem-se bem e marquem muitos golos para a nossa Assomada.
Foto de Miguel Nunes, Jornal "A Bola"
domingo, 5 de abril de 2009
Sei que continuo à espera. Não sei é bem de quê.
Ou saberei?
quarta-feira, 1 de abril de 2009
são tretas, senhor
É melhor não pagarmos porque lá para a semana que vem devem mandar uma carta a dizer que afinal era a brincadeira do 1 de Abril e que estamos todos isentos.
Parece que não, mas ainda há gajos que são verdadeiros profissionais da aldrabice. O pior é que a malta já não lhes acha graça nenhuma.
terça-feira, 31 de março de 2009
adolescência
- Dá para de vez em quando vocês fingirem que já são gente grande?
segunda-feira, 30 de março de 2009
ventanias

Às vezes sobe tão alto que brinca com as nuvens e assusta a passarada.
Lá de cima ele vê o tudo muito bonitinho.
Lhe parece nem há tristezas, nem desgraças, nem diferenças.
E voa, voa, ao sabor da ventania.
Ao acender do farol de São Julião o papagaio desce,
contrariado por voltar ao mundo de verdade.
Sacudi-me de quilos de areia e de ilusões.
Também eu quero voar.
Novas nortadas virão.
domingo, 29 de março de 2009
bom proveito !
- Quero um galão claro com descafeinado e adoçante e um pão de padeira branquinho mal cozido com mais manteiga do que é costume, queijo e fiambre a dobrar, metade para embrulhar e o meu marido vai beber um café cheio em chávena escaldada com dois pingos de leite, um pastel de nata morninho, dos tostados e com pouca canela. Aqui tem dois euros. Se quiser tome lá cinquenta cêntimos e dá-me um euro de troco para lhe facilitar o raciocínio.
E dois copos de água se faz favor. Mas passe-os primeiro à torneira pra não estarem quentes que dão mau gosto à água e como é pra tomar comprimidos...
sexta-feira, 27 de março de 2009
estamos a quantos?
Depois ainda há o dia do pai, da mãe, da criança, da mulher, dos avós e se calhar já inventaram do homem, do padastro, da madastra e do resto dos parentescos e características mais óbvias, tipo dia dos coxos de meia idade ou das balzaquianas grisalhas.
Mas hoje decidi festejar o dia. Vou vestir aquele fato de subir na vida que a D. Alice costurou com o pano di terra que o Xando me trouxe da Ilha de Santiago, calçaria até uns sapatos de salto daqueles em que até a minha perna roliça pareceria torneada, se de tal fosse capaz e estarei presente na cerimónia oficial do dia da mulher cabo-verdiana, organizada pela Embaixada de Cabo Verde em Lisboa e presidida pelo primeiro-Ministro Dr José Maria das Neves, com o objectivo de homenagear as mulheres duma terra que também sinto minha.
quarta-feira, 25 de março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
Diz-se o quê?
quinta-feira, 19 de março de 2009
quantas horas teve o dia?
O pobre do Manel amanheceu com uma daquelas tosses malucas que o deixam de olhos arregalados de susto, a querer falar e só sair aquele ronco de cão acoçado por botas cardadas. Um dia mais de meio para cirandar entre a sala de espera, o consultório, a salinha dos aerossois e o bar. Horas e horas de mimos, descanso e leitura. E mais pensar e falar baixinho e pôr conversas em dia.
Reunião de pais na escola por questões de comportamento e derivados. Faltas de educação e de concentração, excesso de alunos em sala de aula e consequente insucesso escolar. Mães e pais , direcção de turma e comissão executiva preocupados com o andar da carruagem e empenhados em pôr em prática planos e estratégias adequadas à resolução da situação.
Bimby. À partida, estas coisas das vendas ao domicílio com demonstração anexada não são o meu deleite, nem pouco mais ao menos. Mais ainda, desconfio de máquinas com muitos botões, ruídos estranhos e paredes opacas que escondem tudo o que lá se passa dentro e tenho sempre algum receio que percebam a minha desconfiança e, ao primeiro descuído me preguem um choque de pôr tudo quanto é pêlo em pé. A vendedora, demonstradora, cozinheira Joana era uma querida, poupou-me imensa trabalheira, deixou um jantar completo na mesa, com limonada, sobremesa e mais aqueles abraços e troca de galhardetes com o Marcelo, agora pai, marido e motorista ao serviço da família. Man, até o Marcelo se fez um homem!!!
De caminho e no meio das pressas ainda consegui dar um trambolhão tipo peixe atum a se esborrachar na calçada. Branqueei de vez e vi o mundo inteirinho de pernas pró ar, prós lados e também pra baixo porque ele rodava em todas as direcções sem querer parar para me deixar limpar os joelhos, estancar o sangue da testa, apanhar os óculos e seguir viagem, ao volante da carrinha, a caminho dos treinos. Elas assustaram-se e eu fingi que não mas tremia que nem tivesse entrado num dos congeladores da Docapesca.
Desculpa da Bimby, coincidências, o nascimento da sobrinha do Nilton na véspera, a Primavera a chegar ou o que fosse. Estendeu-se a mesa até não dar mais, esticou-se a toalha bem esticadinha e coubemos os dez e mais pratos e copos e panelas com as estórias e disparates todos que estavam por contar.
Foram indo. Deixaram e levaram o calor dos sorrisos e dos abraços que partilhámos.
domingo, 15 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
a solo
Voltei na corrente e velocidade contrárias à multidão, ao meu sabor, parando aqui e acoli, descobrindo a cidade grande e cruzando gente, tanta gente, nas ruas, nas praças, nas estações de metro. Todos apressados, de ar carregado e pouco feliz. Parece nem perceberam o quanto o sol brilhava e como já apetece esquecer os casacos em casa. Mendigos, alguns, arrumadores, bués, crianças, poucas, mas faziam diferença no cortar do ruidoso silêncio da carruagem. Próxima paragem Baixa-Chiado. Como é bom vaguear por aquelas calçadas pela manhã, parece ainda lavadas e frescas do orvalho da noite, sentir cheiros de Primavera, esplanadar por lá, bebendo café, criando estórias, colorindo personagens e cantarolando bandas sonoras a condizer com o sobe e desce da vida que desperta.
Àquela hora parece a cidade rejuvenescia. Acho até esfreguei os olhos e me espreguicei para reacordar. Bruavam conversas e risos, pregões de pexisbeque e paxeminas, lotes de turistas por edioma a caminho do Carmo e piropos atirados do cimo do andaime às passantes mais ousadas. Na escadaria da igreja uma jovem afinava o violoncelo trinando lá's, um casal de adolescentes perdia-se de paixão na esquina da Bertrand e já não sei se o eléctrico passou ou se foi só ilusão.
Desci a Rua do Alecrim, comprei uma flor e entrei no comboio.
quarta-feira, 11 de março de 2009
ressonância magnética
As donas dos quartos não gostavam de visitas e os cafés, como o Ribamar de Algés ou os jardins eram as melhores alternativas para estudo, namoro e convívio da estudantada. Foi nessas andanças que descobrimos um pinhal simpático junto a uma alameda com bancos corridos, igreja de pedra lá ao fundo, padaria com bolos quentes e baratos e paragem de autocarro directo do Marquês.
Passámos palavra uns aos outros e volta não volta lá iamos até Ressonância Magnética, estudar e fazer trabalhos, às vezes piquenicar, guitarrar e cantar, até jogar à bola ou simplesmente ficar na treta uns com os outros. Certo dia, numa aula de Semiologia da Comunicação, daquelas de anfiteatro que pareciam nunca mais terminar, o professor apresentou um exemplo ilustrativo de nem interessa o quê mas que explicava o que era uma ressonância magnética. Os que lá estávamos olhámos uns prós outros entre risos e cochichos. Acabaramos de descobrir que afinal não era assim que se chamava aquela terrinha simpática entalada entre a Mata de Monsanto e a auto-estrada de Cascais.
Mas é o que continua escrito na seta de sinalização que aponta para lá...
terça-feira, 10 de março de 2009
pé a pé
acordar. sair. partir. ir. apressar. fingir. sorrir. cumprir. cegar. ver. ouvir. gritar. partir. parar. pedir. chorar. sorrir. deixar-se amar.
.
segunda-feira, 9 de março de 2009
por ler
Conheço um rol de adultos com estatuto e bem na vida, respeitáveis homens e mulheres da classe financeira e até política que passaram os olhos pelos "Maias" e amargaram com "As viagens da minha terra" porque a tal foram obrigados. Em cada Verão passeiam os Paulos Coelho e as Margaridas Rebelo Pinto da moda conforme aderem às havaianas ou às madeixas platinadas. Mas tal como as roupas passam de época sem marcas de uso também os livros são arrumados na estante ainda por desflorar. ou folhear, tanto faz.
Tem nada a ver mas o meu Jorginho também não gosta de ler. Diz que gostava de gostar mas as letras fogem dele como se tivessem medo. Ele acha que as letras, as palavras e até as vírgulas já descobriram que ele não é flor que se cheire e não querem confianças com malvadezas e máscriações. Antes, quando tinha óculos de ver parece até os pontos de exclamação gostavam dele e nem ia tantas vezes de castigo nem para o atendimento, não fugia da escola nem dava mergulhos de pés nas poças da chuva. Quando voltava para casa, lia os horários das paragens de autocarro, a ementa do Café do Gaveto, a "Dica" da semana e os cartazes todos dos concertos do Tó Semedo, do Juka e até de gajos estrangeiros que tem que se pagar para lá ir abanar a carola. Depois os óculos partiram-se e estavam guardados na gaveta porque nas férias não se usam óculos de ver porque não fazem falta nenhuma e as miúdas nem gostam de putos caixa de óculos.
Na semana passada, a sogra da madrasta da mãe do Jorginho deu-lhe uns óculos que já não lhe serviam mas que a ele ainda estão de crescer. Já foram a apertar ao oculista mas continuam com um problema. Estão impecáveis, como novos, têm os vidros inteirinhos e transparentes tal e qual quando as janelas lá de casa acabam de ser limpas com "Ajax", mas as letras continuam a fugir para todos os lados e às vezes parece até ficam nubladas como se as lentes tivessem embaciado.
Numa tarde destas, lado a lado, porque aos 12 anos já não se tem idade para andar de mão dada, passeámos por aí e pedimos aos amigos e conhecidos com óculos que nos deixassem experimentar os seus gafarros para ver se nos assentavam bem. Uns ficavam, outros nem por isso mas o bom da coisa foi o Jorginho ter descoberto por si próprio que as letras não têm nada contra ele, os vidros dos óculos é que mesmo limpinhos e brilhantes não são iguais uns aos outros. Truques!!!
domingo, 8 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
até amanhã
quarta-feira, 4 de março de 2009
quando fôr grande quero ser tudo!
hoje queria muito que o dia tivesse sido menos pesado, mais colorido e sem tanto aperto no coração. nem são pedro ajudou. temperou desgosto e tristeza com granizo e vento forte. se calhar não é bem santo, está ainda em formação, como a personalidade dos miúdos e aquelas leis que lhes definem os destinos, às vezes tarde de mais.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
As primas Marias
Adormeço e acordo ao som daquele mar forte de sul que entra pelo molhe da Solaria, põe as gaivotas loucas, os pescadores em terra e me deixa de alma lavada;
Por caminhos e carreiros, entre urze, estevas e giestas, lá fomos, de prima em prima, revivendo velhas estórias, cheiros, caras e sabores. Todas nos setenta, todas viúvas, todas sós e cheias de vida em ermos perdidos na serra algarvia. Sob a nevrinha colhemos laranjas, poejos e rosmaninho. Ao calor da braseira falaram da grandeza dos martuzes com mel no combate à tosse, da água que se deve beber morna para evitar males na veia d´urina, dos filhos, dos netos e dos bisnetos que as visitam mas que não desejam nas lidas da terra nem dos cortiços, querem-nos lá em baixo, no Algarve, onde há hoteis, turistas, trabalho limpo , não se acorda ao nascer do sol nem se recolhe ao piar do mocho.
São tão bonitas as primas. Morenas e enrugadas por décadas de sol, despachadas e trabalhadeiras, cabelos alvos cobertos por lenço negro e chapéu de palha debruado a fita escura, de olhos muito brilhantes e sorriso aberto. Sábias e adivinhadoras de sonhos. Abraçam com fervor e cantam com doçura.
Encantam-me sempre. Comovem-me também.
Isabel volta depressa. vamos até lá cima,aos Gregórios, que a prima Maria José sabe dum chá de alecrim que afoga até as tristezas desenganadas.
quem ???
Começamos por ser o marido ou a mulher de, que digo eu por minha conta, ao fim de vinte e tal anos de comunhão continua a soar-me estranho. nas escolas e nos consultórios passam a tratar-nos por "mãe" ou "pai" como se fizessem parte do agregado e para todos os miúdos e adolescentes da escola, do clube, dos escuteiros, da rua e mais aqueles que nem sabemos donde nem quem são seremos eternamente a mãe ou o pai do ou da consoante o género.
Daí a minha estranheza a tanta questão acerca da minha pessoa em menos de vinte e quatro horas. perguntaram nome, morada, telefone, profissão, data e local de nascimento e idade também não fosse ter aldrabado e tirado uns poucos de anos, estado cívil, nome do cônjuge - que eles sempre dizem cônjugue - e se era pai dos filhos e se estes eram maiores, menores e não perguntaram o sexo nem a cor dos olhos e do cabelo, o peso, a altura e o nível de colesterol porque não se devem ter lembrado. Curioso é que em nenhuma altura me foram solicitados os documentos do veículo, comprovativo em como eu era a proprietária ou a minha própria carta de condução. Eu acho que não é crime ter apresentado queixa dos presumíveis vândalos que me assaltaram o carro. ou será que é?
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
cinzento escuro
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
à noitinha no casino
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
sempre a rolar
Dois domingos atrás fomos experimentar os carrinhos rampa abaixo, no lugar onde iria acontecer o Grande Prémio Esferacar de Barcarena, assim tipo aprender a andar e treinos de reconhecimento de pista. Encantaram com uma manhã inteira de desce a rolar sobe a puxar, come bolacha, trinca maçã, piropo pra cá, estória pra lá. Nem o frio nem a humidade nem tão pouco o acordar assim quase de madrugada em dia de dormir até meio-dia, demoveram estes aprendizes de campeões.
Neste sábado, pilotos de Caxias e da Outurela, partilhando viaturas, capacetes, luvas, lanches, ajudas e amigos, fizeram-se ao alcatrão. O Adilson soprou-me no ouvido que tinha o sonho de ter um carrinho daqueles, assim só dele para brincar quando tivesse vontade. Parece o vento ouviu, contou à brisa e ela bisbilhotou a gente amiga. Quando os deixei na Outurela, junto ao Clube Jovem, o Adilson subiu a rua, inchado de orgulho, puxando a viatura pela cordinha e prometendo à passagem que ia deixar todos andarem, só em ruas sem carros a circular nem estacionados, porque era esse o acordo que tinhamos estabelecido.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Peripateticando

Sentimos o frio muito frio que o vento trazia empoleirados numas pedras gigantes que apostámos serem meteoritos caídos do céu, ouvimos o barulho do silêncio e o resmalhar das folhas, respirámos devagarinho e com muita atenção para treinar o portar bem na sala de aula, brindámos às negativas a descer e às positivas a subir com copos muito pequeninos a derramar de icetea, corremos descida abaixo e de calhau em calhau, descobrimos bué de verdes diferentes uns dos outros e colhemos uns ramos cheios de bolinhas amarelas para trazer para as mães. Descobrimos depois que as flores de acácia além de lindas também são muito malcheirosas ...
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
devaneios
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
do Lat. futuru, que há de ser
do Lat. transgredere por transgredi
ir além do que é permitido;
infringir;
postergar;
deixar de cumprir lei, preceito, dever ou ordem.
amar
do Lat. amarev. tr.,
ter amor a;
gostar muito de;
desejar;
escolher;
apreciar;
preferir;
viver
do Lat. vita
ter vida;
existir;
durar;
habitar, residir;
alimentar-se;
nutrir-se;
comportar-se;
ter relação com;
felicidade
do Lat. felicitates. f.,
ventura;
bem-estar;
contentamento;
bom resultado,
bom êxito;
qualidade ou estado de quem é feliz.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
chegou carta, mucua também
Gostava de agradar Fatuxa, filha codé, única em casa cuidando. Embarrigara de Fatuxa já mulher partida pra velha e tivera choro grande de desgosto. Vergonha de mulher parida avó de netos homens feitos.
Nasceu de olho aberto e goela escancarada a cachopa. Havera de ser mulher pra vida dissera doutora que a trouxe pro mundo. E era. Professora diplomada, dessas de ensinar a ler e a escrever criança pequena e grandes também.
Até mamã já assinava o nome e lia cartas chegadas do lá longe. Mas o estado nunca mais mandava postal dizendo que tinha escola pra ela ensinar meninos. Então ela ia no shopping e ganhava arrumando tabuleiro de comida. Depois voltava e nha Nézinha lá estava, sentada, contando parte. Fatuxa ia só num instante comer bucha e trazer viola. Encostava na perna da mãe e tocava as mornas mais choradas do bairro.
Um dia, nha Nézinha não acordou mais. Fatuxa fez a trouxa, pegou na viola e foi pro lá longe. Era quase Fevereiro. Lá no Namibe ela foi ensinar. E contar bué parte também.
Continuo a escutá-la nos meus sonhos. Soletrando ditongos, tecendo longos panos coloridos, trauteando aquelas suas músicas sem palavras de verdade e que falam a verdade toda. Fatuxa não voltou porque o caminho do ser feliz nela se encantou e sua lhe chamou.
Passaram dois anos, mais dia menos dia.
sábado, 31 de janeiro de 2009
tem dias ...
o mar enfureceu. o céu também.
fosse a minha loucura maior iria tempestade dentro, deixando-me salgar, molhar, oscilando ao sabor da nortada.
sei teria voltado mais leve e de alma renovada.
constipada, porém.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Elas
É que elas podem perceber que o meu cabelo é cortado à máquina, pente quatro fachavor e ver nas minhas unhas os carrinhos de rolamentos que hei-de aprender a construir.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Om mani pemé hung hri

Acabada de chegar à cidade grande e desconhecida, procurando instalar-me e adaptar-me à nova vida de estudante universitária em auto gestão, senti-me em casa naquela casa que logo vi não ser bem um restaurante, apesar de se comer bem e adequado à fraca bolsa da época.
Serviam-nos a "malga da simplicidade" que consistia em sopa, tarte de vegetais com salada e uma tigela de frutas frescas e secas com iogurte, temperada com a maior simpatia e uma calma que só ali se respirava. Chamavam-lhe o "Terraço do Finisterra" e era um segundo andar da Rua do Salitre com vista para o Jardim Botânico da Faculdade de Ciências.
Quando quase no final do curso soube que ia ser mãe prepararam-me água ferrosa e os pratos mais completos e coloridos, para que ambos crescessemos em vida e saúde, ensinaram-me a melhor posição para dormirmos em paz e fizemos ioga diariamente. Quando o Lopo nasceu, apareceram na maternidade com uma maravilhosa e imensa tarte de chocolate e castanhas para a equipa de serviço. Festejavam o regresso do Lopo.
Como verdadeira comunidade que são, a sua vida é onde fazem falta. Partiram e estão em França, na Bélgica, nalgum mosteiro algures por aí, trabalhando para que numa vida próxima sejam ainda melhores pessoas. Deixaram-me valores eternos e um coração maior.
Hoje, depois de passar pela sanzala, desenrolei o rolinho que recebi na última passagem do Dalai Lama por Lisboa. Continuava por abrir. Estava escrito "Om mani pemé hung hri"/"Aconteça o que acontecer à tua volta, nunca desistas".
O restaurante ainda existe.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Senhor Ribeiro da Biblioteca
Com o passar do tempo as visitas deixaram de ser diárias porque o deleite da leitura assim o obrigava mas, dizia o Sr Ribeiro, continuava a ser a sua melhor freguesa e quem quase como ele conhecia de cor e salteado cada uma das prateleiras. Acho ainda posso pegar num lápis e num papel e arquitectar cada assunto e muitos autores, estante a estante, daquele primeiro andar de parapeitos floridos.
E o bom que era contar e ouvir do Senhor Ribeiro um mundo inteiro de fantasia roubado às muitas páginas folheadas ou acabado de sair da nossa imaginação, enquanto eu copiava parágrafos mais especiais e ele tratava da saúde a lombadas defeitas ou ajudava na consulta de alguma obra.
Na entrada, ao lado da porta verde, havia uma placa dourada onde estava escrito: Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca Fixa nº 6, de segunda a sexta, das 18h às 20h. Num domingo de 1974 , ao lusco fusco, fomos lá, à sucapa e colámos um cartaz a dizer "Biblioteca do Senhor Ribeiro" numa atitude PREC'iana de entregar terra a quem a trabalha.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Nha Jula
Um dia destes ela vai voltar e trazer de novo a maleta cheia de garrafas de manteiga(!), feijão congo, atum, milho, linguiça e bolacha capitão. Vamos a ver é se não se esquece de avisar a malta.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Ao sabor do Arade
Isabel, continuamos à tua espera.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
às terças
Quando tudo acaba respiro fundo numa qualquer área de serviço, leio meia dúzia de páginas das revistas cor-de-rosa e as gordas dos jornais, bebo um café forte e amargo, sinto uma vontade imensa de acender aquele cigarro a que continuo a resistir e vou aterrando lentamente no ninho.
Tanta sede daqueles abraços que ainda estão por dar.